FATORES DE RISCO NO AMBIENTE DE TRABALHO PARA O SURGIMENTO DE TRANSTORNOS MENTAIS NOS BANCÁRIOS: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PARA O TRANSTORNO DE PÂNICO

ELDER FONTES PEREZ[1]

 

 Resumo

 

O presente artigo visa levantar os principais fatores de risco para o adoecimento mental na categoria bancária no estado da Bahia e sugerir uma proposta de intervenção clínica, com base na Terapia Cognitivo Comportamental, para o tratamento individual do Transtorno de Pânico no bancário acometido deste transtorno. Foram pesquisados dados referentes ao sistema financeiro nacional dos últimos anos e seu processo de reestruturação através de fontes como o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE, a Federação Nacional dos Bancos – FENABAN e o Sindicato dos Bancários da Bahia – SBBA. Para a construção da intervenção clínica foi feita uma pesquisa bibliográfica consultando diversos pesquisadores que tratam do tema, o que resultou numa proposta integrativa de conceituados autores que abordam a questão do Transtorno de Pânico.

 

Palavras-chave: Terapia Cognitivo Comportamental. Transtorno de Pânico. Bancários. Intervenção.

 

  1. INTRODUÇÃO

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos – DIEESE e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – CONTRAF, um dos setores da economia brasileira no qual a reestruturação produtiva se estabeleceu de maneira mais marcante foi o setor financeiro. Tal processo, que envolve a terceirização, a fusão de bancos, a política de metas, a automação, maior vulnerabilidade a assaltos, aumento da violência dos ataques e as novas formas de gestão são algumas das realidades vividas hoje no ambiente organizacional bancário que aterrorizam os trabalhadores, pois essas mudanças provocaram um impacto violento no que diz respeito ao emprego e às condições de trabalho dos empregados deste segmento.

Os balanços anuais dos maiores bancos que atuam no país, publicados pelas próprias instituições financeiras na internet, indicam que entre os anos de 2012 a 2016, nenhum dos cinco principais bancos (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander) teve crescimento negativo. Não obstante, dados do MTE, DIEESE e SBBA apontam que o emprego no setor bancário decresceu de 512.835 em 2012, para 458.485 em dezembro de 2017.

Percebe-se que a ansiedade e a angústia acompanham as novas tecnologias no capitalismo, pois, em primeiro lugar, com a redução de empregos, surge o medo de se ver o nome na lista de demitidos e lidar com todas as consequências trágicas que acompanham essa situação. Depois, aparece o temor de não saber usar as novas tecnologias, de sentir-se não preparado, excluído, sem saber para onde ir, o que pressupõe que muitas reações são negativas diante das mudanças (Valadares, 2001).

Assim, é possível observar que das pessoas que estão inseridas no mercado, é altamente exigido sempre se fazer o melhor e ser o melhor. A competitividade, a agilidade, a produtividade e outras tantas características passam a ser cada vez mais necessárias para que o trabalhador seja reconhecido como qualificado o suficiente para permanecer no mercado. As exigências crescem continuamente e o trabalhador vive o medo de ser substituído.

Além disso, os ataques aos bancos ainda são numerosos e só nos últimos quatro anos (2014 à 2017), de acordo com o Sindicato dos Bancários da Bahia, foram 628 ocorrências no Estado, incluindo sequestros dos trabalhadores, assaltos, explosões de agências e caixas eletrônicos que muitas vezes danificam e/ou destroem unidades bancárias inteiras, etc. Tudo isso coloca os bancários em estado de constante alerta e tensão, dentro e fora do ambiente de trabalho.

Ao atentar para essa realidade e tendo em vista o crescente número de afastamento do trabalho por problemas psíquicos e o aumento no consumo de medicação controlada na categoria, dados que são apontados na pesquisa anual nacional dos bancários, torna-se importante abordar essa questão e propor uma estratégia de intervenção que vise minimizar os danos já instalados nesses profissionais por conta da sua atividade laboral.

Pretendemos neste trabalho identificar alguns fatores de risco que contribuem para o surgimento de transtornos mentais, na categoria bancária da Bahia, no período de 2014 a 2016 e oferecer uma proposta de intervenção psicológica individualizada para os transtornos de pânico com base na Terapia Cognitivo Comportamental – TCC. Para isso, à princípio iremos analisar a relação entre a atividade laboral, ambiente e condições de trabalho como desencadeador das patologias e então propor um modelo de intervenção com base na Terapia Cognitivo Comportamental que auxilie no combate e/ou redução dos danos causados ao trabalhador, no que se refere aos transtornos de pânico relacionados à atividade laboral.

O trabalho terá como base metodológica a pesquisa bibiográfica, tendo em vista a pesquisa anual da Campanha Nacional dos Bancários, publicada e divulgada pelas entidades sindicais de todo o país que aponta um número crescente de afastamento do trabalho e consumo de medicação psiquiátrica controlada. Há ainda uma significativa e crescente quantidade de trabalhos que abordam a questão do adoecimento psíquico na categoria bancária que também será utilizada.

Sabemos que diversos transtornos têm se apresentado de maneira preocupante entre os bancários como o estresse, a depressão, o consumo de drogas etc. No entanto, para este trabalho fizemos o recorte do Transtorno do Pânico como uma forma de objetivar a nossa proposta de intervenção.

 

  1. O QUE É O TRANSTORNO DE PÂNICO

Utilizamos aqui as definições diagnósticas do Transtorno de Pânico das duas principais referências em transtornos mentais, a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID – 10 e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição (DSM – 5).

De acordo com Organização (1993, p.137), no Transtorno de Pânico – F41.0 (ansiedade paroxística episódica),

os aspectos essenciais são ataques recorrentes de ansiedade grave (pânico), os quais não estão restritos a qualquer situação ou conjunto de circunstancias em particular e que são, portanto, imprevisíveis. Assim como em outros transtornos de ansiedade os sintomas dominantes variam de pessoa para pessoa, porem início súbito de palpitações, dor no peito, sensação de choque, tontura e sentimentos de irrealidade (despersonalização ou desrealização) são comuns. Quase invariavelmente há também um medo secundário de morrer, perder o controle ou ficar louco. Os ataques individuais usualmente duram apenas alguns minutos, ainda que às vezes sejam mais prolongados; sua frequência e o curso do transtorno são, ambos, muito variáveis. Um indivíduo em um ataque de pânico frequentemente experimenta um crescendo de medo e sintomas autonômicos, o qual resulta em uma saída, usualmente apressada, de onde quer que ele esteja. Se isso ocorre numa situação específica, tal como em um ônibus ou em uma multidão, o paciente pode subsequentemente evitar aquela situação. De modo similar, ataques de pânico constantes e imprevisíveis produzem medo de ficar sozinho ou ir a lugares públicos. Um ataque de pânico com frequência é seguido por um medo persistente de ter outro ataque. O Transtorno de Pânico deve ser o diagnóstico principal somente na ausência de quaisquer das fobias em F40. Para um diagnóstico definitivo, vários ataques graves de ansiedade autonômica devem ter ocorrido num período de cerca de um mês:  Em circunstâncias onde não há perigo objetivo;

  • Sem estarem confinados a situações conhecidas ou previsíveis;
  • Com relativa liberdade de sintomas ansiosos entre os ataques (ainda que ansiedade antecipatória seja comum).

 

No DSM-5 (AMERICAN, 2014, p.208), os Critérios Diagnósticos para o Transtorno de Pânico – 300.01 são:

  1. “Ataques de pânico recorrentes e inesperados. Um ataque de pânico é um surto abrupto de medo intenso ou desconforto intenso que alcança um pico em minutos e durante o qual ocorrem quatro (ou mais) dos seguintes sintomas:

Nota: O surto abrupto pode ocorrer a partir de um estado calmo ou de um estado ansioso.

  1. Palpitações, coração acelerado, taquicardia.
  2. Tremores ou abalos.
  3. Sensações de falta de ar ou sufocamento.
  4. Sensações de asfixia.
  5. Dor ou desconforto torácico.
  6. Náusea ou desconforto abdominal.
  7. Sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio.
  8. Calafrios ou ondas de calor.
  9. Parestesias (anestesia ou sensação de formigamento).
  10. Desrealização (sensação de irrealidade) ou despersonalização (sensação de estar distanciado de si mesmo).
  11. Medo de perder o controle ou “enlouquecer”.
  12. Medo de morrer.

Nota: Podem ser vistos sintomas específicos da cultura (p. ex., tinido, dor na nuca, cefaleia, gritos ou choro incontrolável). Esses sintomas não podem contar como um dos quatro sintomas exigidos.

  1. Pelo menos um dos ataques foi seguido de um mês (ou mais) de uma ou ambas as seguintes características:
  2. Apreensão ou preocupação persistente acerca de ataques de pânico adicionais ou sobre suas consequências (p. ex., perder o controle, ter um ataque cardíaco, “enlouquecer”).
  3. Uma mudança desadaptativa significativa no comportamento relacionada aos ataques (p. ex., comportamentos que têm por finalidade evitar ter ataques de pânico, como a esquiva de exercícios ou situações desconhecidas).
  4. A perturbação não é consequência dos efeitos psicológicos de uma substância (p. ex., droga de abuso, medicamento) ou de outra condição médica (p. ex., hipertireoidismo, doenças cardiopulmonares).
  5. A perturbação não é mais bem explicada por outro transtorno mental (p. ex., os ataques de pânico não ocorrem apenas em resposta a objetos ou situações sociais temidas, como no transtorno de ansiedade social; em resposta a objetos ou situações fóbicas circunscritas, como na fobia específica; em resposta a obsessões, como no transtorno obsessivo-compulsivo; em resposta à evocação de eventos traumáticos, como no transtorno de estresse pós-traumático; ou em resposta à separação de figuras de apego, como no transtorno de ansiedade de separação).

 

Feitas as entrevistas iniciais de maneira rigorosa e detalhada e constatando-se o diagnóstico de Transtorno de Pânico, com base nos critérios acima, propomos as intervenções no próximo item, lembrando que a individualidade do sujeito precisa ser respeitada e preservada. Portanto, não se trata aqui de um manual rígido que não permita alterações e adaptações de acordo com o caso. Pelo contrário, em muitas situações isso será necessário.

 

  1. PROPOSTA DE INTERVENÇÃO

Apresentamos a seguir uma forma de nortear o tratamento de acordo com o que há em comum na literatura existente que trata do assunto. Destacamos que não foi encontrado nenhum tratamento específico dirigido para a categoria bancária, portanto, trata-se de um modelo geral que deve fundamentalmente avaliar as questões pessoais cognitivas e crenças relativas a atividade laboral que o sujeito trabalhador bancário exerce. Esse aspecto deve ser mais explorado na etapa de “Reestruturação Cognitiva” e, se for o caso, deve ser trabalhado na “Exposição” e consequentemente nas outras etapas.

Psicoeducação e miniaula – Tem a finalidade de “nomear” para o paciente o que ele sente, fazendo-o entender os sintomas para que possa se apropriar com clareza do máximo de informações possíveis e tenha autonomia e autoridade para lidar com o problema. Neste momento é importante desfazer mitos sobre o ataque de pânico como o medo de morrer, de enlouquecer, de perder o controle, etc. e enfatizar o caráter transitório de uma crise. Esclarecer a diferença entre ansiedade, que é percepção de uma ameaça futura e tensão crônica que pode acarretar cautela excessiva, comportamento de evitação e prejuízo ao desempenho; e pânico/medo, cuja característica é a percepção de ameaça iminente com uma descarga autonômica súbita e comportamento de luta e fuga. É importante também explicar que essas condições são inerentes ao ser humano e são úteis na nossa vida, inclusive como mecanismos internos importantes para a preservação da própria existência.

Embora seja importante proporcionar autonomia e independência aos pacientes, não podemos perder de vista que o suporte do psicólogo é fundamental durante todo o processo terapêutico e principalmente no início do tratamento quando se deve estabelecer um vínculo sólido entre o profissional e o paciente.

Automonitoramento – A parir de registros feitos pelo próprio paciente, objetiva-se melhorar a sua autoconsciência e aumentar a precisão na auto-observação. Barlow (2016, p. 24), sugere dois tipos de registros: um que é preenchido imediatamente após um ataque de pânico e a intenção é oferecer uma ideia dos gatilhos, descrever o desconforto máximo, sintomas, pensamentos e comportamentos. Este é chamado de Registro de Ataques de Pânico; o outro é o Registro de Humor Diário, que deve ser preenchido ao final do dia apontando os níveis de ansiedade, depressão, ou qualquer outro estado que considere relevante anotar. A depender do caso, pode-se também solicitar que seja feito um outro registro de atividades realizadas ou evitadas e os pensamentos relacionados a elas.

Retreinamento da respiração – Alguns autores afirmam que técnicas de respiração mal utilizadas podem prejudicar os elementos de reestruturação cognitiva em TCC. Nem todos os pacientes que relatam hiperventilação nos ataques de pânico têm, de fato, redução nos valores expiratórios, apenas 50% ou menos. Neste sentido, faz-se necessário um treinamento que leve o paciente um nível respiratório que atinja o equilíbrio, que está entre 14 e 16 respirações por minuto. Portanto, o retreinamento da respiração passa por exercícios que compensem as irregularidades no processo de inspiração, expiração e/ou retenção do ar. Em casos de hiperventilação, por exemplo, deve-se estimular a expiração mais prolongada. A respiração diafragmática pode proporcionar um maior relaxamento. No entanto, observa-se que um dos maiores méritos do treinamento da respiração é a possibilidade de oferecer ao paciente uma maior concentração no processo, retirando a atenção dos sintomas de um ataque e proporcionando mais controle sobre a situação.

Treinamento de relaxamento e imagens mentais positivas – O transtorno do pânico está inserido no grupo dos transtornos de ansiedade e sabemos que relaxamento e ansiedade são incompatíveis. Sendo assim, o relaxamento pode servir como uma técnica cuja prática deve ser estimulada com frequência nos casos de portadores do transtorno do pânico. Em primeiro lugar, deve-se preparar o paciente para a prática, ensinando os benefícios em potencial do relaxamento na redução da tensão e da ansiedade. Antes de iniciar a prática, deve-se ainda sugerir que a pessoa se coloque numa posição confortável, de olhos abertos ou fechados, tentando quantificar numa escala de 0 a 10 o seu nível de tensão geral e em seguida procurar identificar os pontos de tensão no corpo, fazendo uma espécie de escaneamento corporal, seguido de uma respiração suave e profunda. Podemos também pedir que o paciente contraia e descontraia voluntariamente algumas partes do corpo para que ele tenha a sensação de controle sobre a tensão e relaxamento do seu próprio corpo. Durante a “viagem” pelo corpo é solicitado que descontraia as várias partes visualizadas liberando as tensões. Deve-se ensinar a técnica ao paciente para que ele possa praticar fora da clínica também.

Como já dissemos, ansiedade está relacionada a imagens mentais ameaçadoras futuras. A técnica de imagens mentais positivas visa induzir o paciente a criação de ambientes mentais tranquilizadores. Pode ser associada a exercícios de respiração e relaxamento. Pede-se ao paciente que se imagine num local tranquilo, como uma praia, um campo, um jardim etc, e que ele perceba os sons da natureza, dos pássaros, das ondas do mar, dos córregos, do canto dos pássaros etc e também podemos sugerir que experimentem sensações como o vento no rosto, o corpo leve… Algumas pessoas podem ter dificuldades de criação das imagens e sensações, por isso é importante uma miniaula com uma experiência conduzida, mas, assim como em outras técnicas é importante estimular o paciente a praticar fora do setting terapêutico e pedir o feedback das experiências. Desta forma, podemos auxiliar nas suas dificuldades, validar e estimular os seus progressos.

Reestruturação Cognitiva – Em se tratando Transtorno do Pânico, a reestruturação cognitiva tem como objetivo fomentar explicações alternativas e não catastróficas para os pensamentos e sensações temidos durante o pânico. Começamos explicando o papel dos pensamentos na criação das emoções. Em seguida, deixamos claro que os pensamentos estão mais no campo das hipóteses do que dos fatos e, portanto, é algo que pode ser questionado e refutado. A partir daí podemos sugerir o automonitoramento, da forma mais detalhada possível, das emoções e cognições relativas a elas e quais são as principais crenças que interferem nas avaliações, suposições e julgamentos. Feito isso, podemos propor que sejam identificados os erros mais comuns que ocorrem durante as emoções mais fortes, como por exemplo, superestimativas dos eventos, catastrofização, negativização, ou seja, que tipo de rotulagem ou classificação o sujeito faz em tais estados emocionais. Cabe, nesta hora, identificar que relação emocional e cognitiva a pessoa tem com o trabalho, caso o seu problema tenha conexão com a sua atividade laboral. Desta forma, o indivíduo é convidado a fazer uma avaliação objetiva de tais suposições e examinar a validade dos seus pensamentos considerando todas as evidências possíveis. Nessa hora podemos utilizar o questionamento socrático, relativizando seus pensamentos ansiosos e orientando o paciente para novas descobertas. Em seguida, podemos trazer hipóteses alternativas e trabalhar com as evidências, demonstrando que aqueles pensamentos e emoções distorcidas e catastróficas não se realizaram.

Este processo não tem como finalidade eliminar ou mesmo minimizar o medo, a ansiedade ou qualquer sintoma desagradável de forma direta e imediata. O objetivo é corrigir os pensamentos distorcidos. O alívio do incômodo é o aspecto secundário dessa correção que pode vir com o tempo.

Outro ponto relevante nesta etapa do processo é que provavelmente tenhamos que lidar com aspectos cognitivos consolidados durante anos ou talvez durante uma vida inteira, portanto, podem estar relacionados a questões estruturantes da personalidade do sujeito e desta forma é importante que o terapeuta tenha sensibilidade, paciência e o manejo adequado, percebendo quando, como e por onde pode avançar.

Exposição – Esta técnica tem por finalidade rejeitar avaliações errôneas e eliminar respostas emocionais condicionadas a situações e contextos externos por meio de exposição.

Destacamos neste trabalho, dois tipos de exposição:

– Exposição in vivo é uma forma de exposição na vida real da situação temida pelo sujeito. Essa exposição precisa ser precedida de explicações e envolta em elementos que ofereçam segurança ao paciente. Ela precisa ser repetida, sistemática, gradual e, se necessário, assistida pelo terapeuta ou alguém da confiança do paciente, que deve receber as devidas orientações do profissional.

– Exposição interoceptiva é a indução consciente de sensações físicas temidas em quantidade e tempo suficientes para que as interpretações equivocadas sobre as sensações sejam refutadas e se extingam as respostas ansiosas condicionadas. Os exercícios devem ser feitos de forma gradual, partindo do que gera menos desconforto para o que gera mais desconforto. Por exemplo: fazê-la hiperventilar e depois girar a pessoa. A duração da tarefa deve obedecer um tempo necessário para que o paciente suporte as sensações além do ponto em que elas são percebidas pela primeira vez. O desconforto precisa existir. O encerramento antecipado do exercício pode inviabilizar o aprendizado sobre as sensações, principalmente no que tange ao aspecto de que elas não são nocivas e que a ansiedade pode ser bem suportada. Em seguida deve-se ter uma conversa sobre o aprendizado do paciente em relação as sensações físicas. Os exercícios devem ser diários e fora da sessão terapêutica objetivando a consolidação do processo de aprendizagem.

Aplicativos de realidade virtual vem sendo muito utilizados como uma forma segura de trabalhar determinadas fobias através da exposição virtual em 3D.

Esta é uma etapa essencial no tratamento. Muita atenção deve ser dada a esta fase logo que seja iniciada. Como muitas tarefas são realizadas fora da clínica, é necessário acompanhamento e feedbacks constantes sobre pensamentos os pensamentos e sensações. Deve-se sempre saber do paciente como foi realizar os exercícios, suas dificuldades, dúvidas etc. Em se tratando do ambiente de trabalho, se houve afastamento das atividades laborais, o retorno precisa ser acompanhado e precedido de uma conversa com a equipe. É importante fomentar um ambiente de acolhimento e se possível uma readequação da tarefa e do local de trabalho.

 

  1. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Entendemos como o trabalho é estruturante para o indivíduo. Ele ocupa um espaço central na vida do sujeito e pode ser fonte de prazer e também de sofrimento. É fundamental que estratégias que visem a melhoria das condições de trabalho sejam discutidas e implementadas coletivamente, através dos Sindicatos e entidades representativas de classe. O objetivo deste trabalho não foi o de aprofundar essas questões, mas entendemos que é fundamental desenvolver um ambiente de trabalho saudável. Se um trabalhador adquire uma doença no trabalho, afasta-se para tratamento e depois retorna ao mesmo ambiente adoecedor, nenhum tratamento será garantia de cura porque o meio doentio não foi curado.

Do ponto de vista das intervenções propostas para o Transtorno de Pânico, é importante esclarecer que nenhuma técnica deverá ser utilizada isoladamente. Uma única técnica terá seus efeitos reduzidos se não for acompanhada das outras. O tempo do tratamento pode variar de pessoa para pessoa e de acordo com o caso. O trabalho terapêutico precisa proporcionar a autonomia gradual do paciente. Mesmo obtendo bons resultados ao longo do tempo, um acompanhamento periódico é necessário como uma forma de monitoramento e prevenção de recaídas. Deve-se ainda ter atenção especial às supostas comorbidades e seus manejos clínicos.

 

  1. REFERÊNCIAS

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GREENBERGER, Dennis; PADESKY, Christine. A mente vencendo o humor: mude como você se sente, mudando o modo como você pensa. Prefácio: Aaron T. Beck ; tradução: Sandra Maria Mallmann da Rosa ; revisão técnica: Bernard Rangé. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.

 

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POCHMANN, Márcio. Raízes da Grave Crise do Emprego no Brasil. In: O trabalho no século XXI: considerações para o futuro do trabalho. Org. Álvaro Gomes. São Paulo: A. Garibaldi; Bahia: Sindicato dos Bancários da Bahia, 2001.

 

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VALADARES, Carlos. A Evolução das Tecnologias e a Saúde do Trabalhador. In: GOMES, Álvaro (Org.) O trabalho no século XXI: considerações para o futuro do trabalho. São Paulo: A. Garibaldi; Bahia: Sindicato dos Bancários da Bahia, 2001.

 

WRIGHT, Jesse. Terapia cognitivo-comportamental de alto rendimento para sessões breves: guia ilustrado. Tradução Gabriela Wondracek Link, Mônica G. Armando; revisão técnica: Elisabeth M

 

 

[1] Bacharel em Administração de Empresas pela Faculdade de Tecnologia Empresarial em 2004, Salvador-BA e Bacharel em Psicologia pelo Centro Universitário Estácio de Sá, de Salvador-BA, em 2015, pós-graduado em Psicologia Organizacional pela UNIFACS em 2006, em Salvador-BA. Trabalho de conclusão de curso em Terapia Cognitivo Comportamental pela UNIFIA, em Amparo-SP no ano de 2018, orientado pela Professora Natália Tomasetto. E-mail do autor: elderfperez@hotmail.com